O que os homens podem aprender com o universo feminino no mercado de trabalho?

As características femininas de aprendizado, que começam nos espaços familiares com a percepção de sentir, de acolher e de fazer, são fatores que instigam a criatividade e a dinâmica mais “humana” dos profissionais

 

Atuo como Coach e Consultor de Carreiras em uma das mais importantes consultorias do país. Também sou marido, cozinheiro e pai de uma linda ruiva de 6 anos. Resolvi escrever esse artigo a partir das percepções passadas por minha filha sobre o assunto abordado.

Toda criança chega na idade da famosa frase: “quando eu crescer, quero ser…”. Muitas ideias vêm à mente. De prefeita a veterinária, de grafiteira a professora. Neste momento, o mais importante é incentivar os valores das profissões com brincadeiras, vídeos e jogos educativos, além de estimular o aprendizado prático e o desenvolvimento de novas habilidades. As crianças cumprem e completam os desafios. A opinião dos pais na tomada de decisão de seus filhos é, por muitas vezes, determinante na escolha final. Por essa razão, esqueçam de negativar as profissões quando eles as mencionarem, ok?

Através da visão de minha filha, pude refletir e observar o mercado de trabalho atual para as mulheres, afinal, ela estará nele dentro de 10 a 13 anos. Atualmente, desenvolvo programas de gestão de carreiras e de coaching com um público feminino maior: 35% dos processos são para mulheres – um número que continua crescente (dados oferecidos em julho 2017 pela consultoria Thomas Case & Associados).

Um outro dado interessante que analisei, registrado no Portal Brasil (Ministério do Trabalho e Previdência Social, publicado em março 2016), mostra que “Mulheres são maioria em universidades e cursos de qualificação”. Em cursos da área de humanas, como psicologia, áreas da saúde e docência, predominam as mulheres; já em cursos de exatas, como engenharia, as mulheres ainda são minoria.

Analisando estes fatos de forma empírica e tudo que ocorre em nosso modelo social profissional, percebo que, em grande parte, as mulheres se dedicam cada vez mais aos estudos, principalmente, nos cursos de especialização. A persistência delas em buscar seus espaços no mercado de trabalho, seja em posições gerenciais ou em posições de direção, é crescente.

Acredito que o modelo feminino de cuidar do próximo; de executar diversas atividades simultâneas; de possuir mão de obra criativa; de reunir qualificação técnica/teórica, tomou espaço em padrões que considero velhos paternalistas. O próprio homem que tem dificuldades em desenvolver multitarefas, hoje, é motivado a pensar de forma mais abrangente.

As características femininas de aprendizado, que começam nos espaços familiares com a percepção de sentir, de acolher e de fazer, são fatores que instigam a criatividade e a dinâmica mais “humana” dos profissionais, bem como nos ajuda a ter um olhar amplo frente as inúmeras situações do dia a dia de trabalho.

Será, então, que a dinâmica profissional atual está nos levando a potencializar nossas percepções, nossos sentidos e nossas atitudes?

Segundo o arquétipo de Jung na relação entre homens e mulheres, suas diferenças biológicas e psicológicas, comenta-se que quando o homem integra e desenvolve as características positivas da “Personalidade Ânima” potencializa e desenvolve a capacidade de sentir o que se passa no outro, a sensibilidade em lidar com o outro, a tolerância, a intuição, a gentileza, a criatividade, a habilidade de ouvir, a integração com a família.

São práticas que podem fortalecer e quebrar tabus sobre a forma de nos expressar frente às situações emocionais pessoais e profissionais: a dizer de forma branda o que nos incomoda; a compreender o outro no trabalho em equipe; a organizar as atividades no trabalho e de casa; a ser flexível ao sentimento.

Fazendo um paralelo entre as características femininas X masculinas e o momento profissional atual, observo que esses são fatores importantes que aprendemos com as mulheres. Para mim, é uma rica oportunidade, pois ser pai de uma menina e, ainda, trabalhar com o desenvolvimento humano em uma empresa onde a maioria dos colaboradores e assessorados são mulheres, dá-me esta valiosa possibilidade de aprendizado.

Já para as mulheres, percebo o quanto trilham um caminho em suas carreiras. Os estudos, a dedicação e a persistência mostram que estruturam um belo horizonte para a sociedade e empoderam cada dia mais as qualidades próprias.

Fica uma reflexão diante dos números e das características apresentadas: por que então a mulher ainda não tem o mesmo retorno financeiro e de reconhecimento por parte das empresas?

Thiago Brolezzi — MBA em Recursos Humanos pela Universidade Nove de Julho, Especialização em Mediação Social e Facilitação de Processos pela Ecosocial, Formação em Coaching pela SLAC – Sociedade Latino Americana de Coaching e atua como Consultor de Transição de Carreira na Thomas Case & Associados, consultoria com 40 anos de atuação no mercado especializada na gestão e transição de carreiras.

 

Fonte: Administradores